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Universidade perde a antropóloga Eneida Assis

Faleceu no final da manhã desta terça-feira, 26,  a antropóloga  Eneida Correa de Assis.  Docente da Universidade Federal do Pará desde os anos 1970, ela era a  mais antiga em atividade na área de Antropologia, tendo sido pioneira nas pesquisas sobre educação indígena no âmbito da Instituição. Eneida Assis formou várias gerações de historiadores, antropólogos e cientistas políticos ao longo de sua carreira, sempre na militância pela causa indígena. O velório de Eneida ocorre desde as 17h, na Capela Max Domini, na Avenida José Bonifácio, bairro Guamá, em Belém. Emocionados, colegas e alunos escreveram uma nota de despedida à professora.

Em 1981, defendeu a  dissertação Escola Indígena: Uma Frente Ideológica? na Universidade de Brasília (UnB). Nos estudos de doutorado aprofundou a temática com a tese Direitos Indígenas num Contexto Interétnico: Quando a Democracia Importa?, apresentada ao Instituto de Pesquisas do Rio de Janeiro. Em 2000, fez o primeiro estudo de impacto ambiental condenando a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte.

Na UFPA - A professora Eneida atuou como docente no Curso de Ciências Sociais,  nos Programas de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia (PGSA)  e  Ciência Política (PPGCP), além de ocupar a direção  da Faculdade de Ciências Sociais. Coordenou o Observatório de Educação Escolar Indígena dos Territórios Etnoeducacionais Amazônicos (OEEI), projeto em parceria com a UFRA e a UEPA e  financiado pela Capes. Essa iniciativa gerou outros microprojetos, além da formação de  mestres, doutores e especialistas no tema especifico de educação indígena diferenciada, além de  publicações e escritas em coautoria com os povos indígenas do Pará, como Tembé, Anambé, Ka'apor, Kayapó e Surui-Aikewar.

Apesar da aposentadoria compulsória, a professora Eneida Assis coordenava o Laboratório de Antropologia Arthur Napoleão Figueiredo, onde está sediado o Grupo de Estudos em Pesquisas indígenas (GEPI), criado por ela. Em outubro passado, precisou afastar-se para tratamento de saúde.

“A Academia lamentava sua aposentadoria, mas já sabíamos que ela continuaria na luta pelos povos indígenas do Brasil, em especial, pelos povos do Pará e Amapá, por meio de projetos com essas comunidades pelas quais se dedicou a vida inteira”, relata a estudante Alexandra Borba, orientanda da professora.

“Era a decana do nosso Laboratório e vai fazer muita falta. Lembro-me de seu interesse em me estimular e conhecer meus estudos. Vai ficar a alegria, o sorriso largo e a serenidade com a qual acolhia a todos”, declara a colega antropóloga Angélica Maués.

O diretor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas ressalta a imensa dedicação e competência da professora Eneida nas atividades acadêmicas, tanto na Faculdade quanto nos programas de pós-graduação aos quais contribuiu. “Há de se ressaltar, também, o espírito compreensivo e o  caráter de excelente  mediadora da  professora, tão necessário no nosso dia a dia acadêmico”, constata.

Veja também a homenagem da colega antropóloga, professora Jane Beltrão.

UFPA 2.0 Indígenas - O último trabalho da professora Eneida foi o Projeto UFPA 2.0 Indígenas,  com  oficinas baseadas no conhecimento de cibercultura e na prática de produção de conhecimento que a Web 2.0 desenvolve, além de possibilitar aos universitários em situação de vulnerabilidade social - no caso os estudantes universitários indígenas -  aprender os símbolos, signos, (ciber)espaços e saberes que a rede proporciona, por serem plataformas de interatividade de conhecimentos que podem mover as estruturas de poder a favor da defesa da identidade étnica e de sua comunidade. O projeto continua em andamento em parceria com a Prointer, sendo executado pelos bolsistas do GEPI. Na semana passada, o Grupo fez o lançamento de aplicativos para celular (leia aqui).

Texto: Ascom / IFCH
Fotos: Divulgação/ GEPI

Publicado em: 26.05.2015 18:00