A maioria dos casos da lacaziose ocorre nas florestas paraenses

A lacaziose ou doença de Jorge Lobo é uma micose de evolução crônica, causada pelo fungo Lacazia loboi, ainda pouco conhecido pela ciência. Os sintomas da doença, que é restrita à região Amazônica, são lesões com aspecto queloidiano que geralmente afetam a região auricular, membros inferiores e superiores, prejudicando a estética e dificultando a sociabilidade dos pacientes.

Em 1931, em Recife, o dermatologista Jorge Lobo descreveu o primeiro caso da micose, em um paciente de 52 anos que exercia atividades extrativistas nos seringais da Amazônia e apresentava os sintomas da doença havia 19 anos.

Cerca de 90% dos casos incidem em pessoas com atividades florestais (seringueiros, agricultores, garimpeiros, caçadores, mateiros) e que os homens estão mais expostos à lacaziose. Segundo o imunologista Jorge Pereira da Silva, professor da Faculdade de Farmácia da UFPA, a forma de contagio é o traumatismo com um vegetal ou animal que seja portador do fungo causador da doença.  Também foram registrados casos da micose em golfinhos do gênero Tursiops e em primatas do gênero Aotus.

Pereira afirma que a ciência não conhece a fundo o habitat do Lacazia loboi, o que dificulta os estudos sobre o desenvolvimento e tratamento da doença. Até hoje, os experimentos com esse fungo só foram feitos “in vivo”, ou seja, com aplicação em cobaias de laboratório (os pioneiros no estudo “in vivo” foram os cientistas paraenses Mário Sampaio e Leônidas Braga Dias). Segundo Pereira, o Laboratório de Dermato-Imunologia UFPA / UEPA / Sespa / Marcello Candia, que fica no município de Marituba, está buscando o isolamento e o crescimento do fungo em meios convencionais de micologia “in vitro”, isto é, num recipiente de vidro em um ambiente controlado e fechado.

Desde o primeiro registro em 1931 até 2006, 490 casos de lacaziose foram confirmados. O Brasil aparece em primeiro lugar no número de registros, com 318 casos (a maioria no Pará), seguido pela Colômbia, com 50. O tratamento é feito com a substância clofazimina e com cirurgia reparadora, que podem ser obtidas por meio do Sistema Único de Saúde.

por Augusto Rodrigues (ASCOM UFPA)

Publicado em: 24.01.2008 15:34