UFPA de portas abertas para estrangeiros

Iniciamos, nesta segunda-feira, 9, a publicação de mais uma  uma série de matérias especiais sobre as diversas atividades que fazem parte do dia-a-dia das unidades da Universidade Federal do Pará e da comunidade acadêmica. A segunda série fala sobre a realidade dos estrangeiros que estudam na UFPA: sonhos, história de superação, dificuldade, o aprendizado de estudantes que vêm de longe pra vivenciar o ensino superior na Amazônia. A seguir a primeira reportagem da série. Boa leitura!

 

Gentil Gael Mayombo Cibasu, jovem universitário de 21 anos, natural da República Democrática do Congo, hoje vive em uma cultura completamente diferente da sua. O estudante veio, há alguns meses, para o Brasil, mais especificamente para a região amazônica, por meio de uma bolsa de estudos do Programa Escola Convênio de Graduação (PEC-G) para estudar Ciências Contábeis, na Universidade Federal do Pará (UFPA).

 

O estudante congolês decidiu vir para a UFPA depois da boa divulgação feita por dois amigos, que estudaram na Universidade. O principal elogio foi à hospitalidade do povo paraense com os estrangeiros. Essa é mesma opinião do estudante do Benin, Eboniza Faustin, que escolheu a UFPA para poder estudar o português e ter maiores oportunidades profissionais.

 

Assim como esses jovens, outros estudantes de diversos países como Polônia, França, Estados Unidos, Japão e, principalmente, países africanos como Congo, Quênia e Benin vêm estudar na UFPA para realizar toda ou uma parte de sua graduação ou pós-graduação. A UFPA recebe estudantes de diversas áreas como engenharias, letras, geologia, ciências ambientais e ciências humanas.

 

Essa troca de experiência é viabilizada graças aos programas de intercâmbio firmados entre o Brasil e os países estrangeiros. A Universidade tem por volta de 40 acordos com outras universidades que prevêem o intercâmbio. A maioria não oferta bolsas, ou seja, o estudante pode realizar intercâmbio em uma das universidades conveniadas com a UFPA, entretanto, terá que arcar com suas despesas no exterior.

 

Essa situação é diferente dos programas Erasmus Mundus (financiado pela União Europeia); do Consórcio em Educação Superior Brasil-Estados Unidos (Capes-Fipse), parceria da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e o Fundo para o Aperfeiçoamento da Educação Pós-Ensino Médio (Fipse/EUA); o Brasil/France Ingénieur Tecnologie (Capes/Brafitec), cooperação destinada à área de engenharia de Brasil e França; e o Programa Unibral, realizado entre Capes e o Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (Deutscher Akademischer Austauschdienst - DAAD), os quais contemplam os selecionados com bolsas de estudos.

 

O professor Milton Matta, coordenador de um programa Capes-Fipse, em parceria com as universidades de Michigan Tech e Dakota do Norte, conta que, por meio dessa iniciativa, dois estudantes de universidades dos estados da Flórida e do Texas cursaram na UFPA algumas disciplinas dentro da grade curricular de seu curso.

 

Pelo programa Capes/Brafitec, só no último semestre, três estudantes franceses vieram para a UFPA. “No programa de mobilidade acadêmica os estudantes vão para países estrangeiros. Eles se matriculam e podem fazer pesquisas e estágio na área”, afirma o professor Severiano Lima Filho, do programa Capes/Brafitec.

 

Processo – Dependendo do tipo de intercâmbio, o processo para estudantes do exterior pleitearem uma vaga na maior universidade da região norte do Brasil é diferente. No caso do PEC-G começa em seu próprio país, com os estudantes tendo que verificar se há convênio entre seu país de origem e o Brasil, depois vêem as regras de seleção definidas pelos governos.

 

No decorrer desse processo, os jovens podem optar por estudar na Universidade Federal do Pará, sem a necessidade de aprovação no Processo Seletivo (PS) da Instituição e sem concorrer por vagas com os brasileiros. Ou seja, os estudantes estrangeiros entram em um regime especial na UFPA (PEC-G), pois não retiram vagas dos processos seletivos convencionais.

 

No caso dos outros convênios, as universidades parceiras realizam processos internos de seleção para que os estudantes cursem um semestre fora de seu país. Geralmente, nesses programas, o estrangeiro recebe um auxílio financeiro prestado por seu país para ajudar nas despesas como alimentação, moradia, transporte, material didático, etc.
Na próxima reportagem da série estudantes estrangeiros na UFPA, você conhecerá os obstáculos que esses alunos enfrentam para estudar em um país completamente diferente.

 

Leia, nesta terça-feira, a segunda reportagem: Língua, cultura e apoio são os principais obstáculos.

 

Texto: Vito Ramon Gemaque - Assessoria de Comunicação da UFPA.

Arte: Rafaela André

Publicado em: 09.01.2012 09:00