Baixo consumo de frutas tropicais preocupa pesquisadores da UFPA

A Região Amazônica produz uma grande variedade de frutas tropicais, como o açaí, o araçá, o bacuri, o camu-camu, entre outras. Muitas vezes, essas frutas são desconhecidas por parte da população, tanto a da própria Amazônia como a das regiões sul e sudeste do País. O consumo dessas frutas também é precário. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, cada pessoa deve consumir cerca de 100 kg de frutas por ano, um dado que, no Brasil, chega a apenas 62 kg por habitantes, ao ano.

Segundo a professora Luiza Meller, da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade Federal do Pará (UFPA), e a discente Carolina Bezerra, do doutorado do Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia de Alimentos da UFPA, o consumo de frutas tropicais na Região Norte também é muito baixo. “A deficiência de vários minerais e vitaminas são frequentes. Em Belém, segundo dados do VIGITEL (2009), apenas 8,4% dos entrevistados possuíam adequação de consumo de frutas.

Situação esta que preocupa, já que é comprovado, cientificamente, que o baixo consumo de frutas e verduras aumenta o risco de desenvolvimento de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT)”, afirma a professora.

Benefícios – As frutas apresentam diversas vitaminas que trazem, para o ser humano, uma série de benefícios, seja para o corpo, como pele, cabelo, seja para a prevenção de algumas doenças. O paraense, que não dispensa uma caneca de açaí, muitas vezes, não sabe o bem que esse fruto faz. Rico em propriedades nutricionais, ele se destaca por apresentar teores consideráveis de antocianinas (50 a 100mg/100g) e vitamina E (45mg/100g), estruturas antioxidantes que combatem os radicais livres, diminuindo, assim, o estresse oxidativo.

“Estudos epidemiológicos vêm mostrando que o consumo de frutas ricas em antocianinas diminui o risco de doenças cardiovasculares, processo inflamatório e diversos tipos de câncer. O açaí apresenta teor elevado de ácidos graxos insaturados (76%), considerado como gordura ‘boa’. Apesar das propriedades nutricionais, o fruto não deve ser consumido em demasia, devido ser calórico (249 cal/100g)”, conta a professora Luiza.

Além do açaí, muitas outras frutas tropicais são ricas em nutrientes, como o bacuri, que possui bons teores de fibra alimentar, ajudando na digestão, e de vitamina B2, que auxilia na produção de energia para o organismo. Já o buriti destaca-se pelo seu elevado teor de beta-caroteno, elemento importante para diferenciação celular, evitando o risco de diversas doenças, tais como degeneração macular e aterosclerose. Devido sua capacidade antioxidante, previne o envelhecimento precoce e auxilia no aumento da resistência do organismo.

Outra fruta tropical bastante popular na região é a pupunha. “Nela, é encontrado apreciável teor de carotenoides, que podem variar de 17 a 150µg. Os carotenoides são estruturas importantes para o organismo, pois são precursores da vitamina A, sendo elemento essencial para o crescimento, desenvolvimento, manutenção de tecidos epiteliais, reprodução, sistema imunológico e, em especial, para o funcionamento do ciclo visual na regeneração de fotorreceptores. Além deles, também pode ser identificado, nas pupunhas, os tocoferóis, ou vitamina E, e os sitosteróis. Este possui uma estrutura química semelhante a do colesterol, possui ação bactericida, fungicida e anti-inflamatória. Estudos demonstram que tem ação na redução do colesterol sanguíneo, bloqueando sua absorção intestinal”, explica a professora Luiza.

Texto: Paloma Wilm – Assessoria de Comunicação da UFPA
Foto: Reprodução Google

Publicado em: 13.07.2012 18:00