Professor e aluno da UFPA em escavação arqueológica em Israel

O professor Josué Berlesi e o bolsista Robson de Castro Nascimento, da Faculdade de História do Campus Universitário da UFPA de Cametá, estiveram no Oriente Médio representando a Instituição nas escavações arqueológicas no sítio de Tel Megiddo. A viagem de, aproximadamente, um mês foi possível por meio de recursos do Programa Integrado de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão (Proint).

Os pesquisadores já retornaram ao Brasil trazendo bons resultados e, principalmente, elevando o nome da UFPA e do Campus de Cametá em uma área do conhecimento ainda pouco explorada no Brasil.

Diversidade - O referido sítio arqueológico de Tel Megiddo é um dos mais importantes em Israel, por sua extensão e por sua importância histórica, teológica e geográfica. A dupla de brasileiros escavou uma área do Período Cananita, onde puderam encontrar uma diversidade de cacos cerâmicos e utensílios domésticos, tais como antigos pilões usados na moagem de cereais.

Para o professor Josué Berlesi, a experiência foi bastante produtiva por conta da representatividade que o assunto terá, sendo este mais um passo para o fortalecimento dos estudos da história antiga oriental no Brasil, área que, segundo ele, ainda carece de mais atenção na Academia nacional.

Artefato egípcio - O objetivo da expedição arqueológica foi o de estudar a história antiga oriental, direto da fonte. Para os arqueólogos, as descobertas mais importantes são as estruturas de construções antigas, como casas e templos. Em termos de objetos, o artefato mais importante encontrado pela equipe do professor foi um escaravelho de pedra, da dinastia do Faraó Tutmosis III, um dos mais poderosos do antigo Egito.

No referido objeto, há hieróglifos que apresentam o nome do faraó. Este escaravelho identificava algo que era do faraó ou de alguém que estava seguindo ordens dele. E é um achado arqueológico muito importante, justamente por estar inteiro, visto que a maioria dos objetos geralmente encontrados nessas escavações estão quebrados ou incompletos.

História Antiga Oriental no Brasil - Josué é o único pesquisador da UFPA que estuda História Antiga Oriental. Além dele, há apenas outra professora concursada que estuda a história das civilizações antigas, mas voltada para Grécia e Roma.

Engana-se quem acha que apenas no Estado do Pará é que há poucos pesquisadores da área. “Esta é uma área pouco desenvolvida no Brasil”, disse o pesquisador. Ele afirma que o Brasil ainda carece de pesquisas sobre o tema. “Desde o início da disciplina em nosso país, houve uma predileção por Grécia e Roma. Em países próximos, como a Argentina, podemos observar que há uma forte tradição em estudos da História Antiga Oriental.”

Colina do fim do mundo - Considerado patrimônio mundial pela Unesco desde 2005, Megiddo é uma tell ("colina") feita de 26 camadas de ruínas de antigas cidades. Localizada numa posição estratégica, por lá passavam pessoas de várias civilizações, pois era uma das rotas possíveis entre o Egito e a Assíria, reino que ficava ao norte da Mesopotâmia, o que se reflete nos achados de múltiplas civilizações nas áreas de escavação. Já foram encontrados artefatos egípcios, mesopotâmicos, cananitas e israelitas.

Fora do círculo acadêmico, o sítio de Megiddo também é muito conhecido por seu significado bíblico. Segundo o livro sagrado, este lugar será onde ocorrerá o Armagedom.

Texto: Yuri Coelho – Assessoria de Comunicação
Fotos: Divulgação / Projeto

Publicado em: 13.07.2012 18:05