Estudo sobre bandas de música paraenses é apresentado na Grécia

Orquestras e bandas de sopro no Brasil: Encontro de práticas musicais contrastantes e seus dilemas. Esse é o título de um estudo, desenvolvido pelo professor e regente da Banda Sinfônica da Escola de Música da Universidade Federal do Pará (EMUFPA), Jacob Cantão, que foi apresentado na última semana, no seminário Community Music Activity, na ilha de Confu, na Grécia.

O seminário fez parte do 30º Congresso da International Society for Music Education (ISME), realizado em terras gregas. O professor Jacob apresentou sua pesquisa, originada de sua tese de doutorado, realizada com três bandas da região do Salgado, no Pará. “Eu e meu orientador, o professor Joel Barbosa, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), resolvemos que era a oportunidade certa para divulgar as particularidades musicais da identidade das bandas de música do Pará”, afirma Jacob.

Estudo – Para discutir e refletir sobre dilemas pedagógicos, relacionados aos cursos de bandas oferecidos por agências governamentais brasileiras de bandas nas comunidades, o trabalho tem como foco o estudo sobre a maneira de se tocar clarineta, e as diferenças entre as bandas. “Consideramos os instrumentos e acessórios, as abordagem didáticas, a técnica do instrumento e as características de desempenho dos clarinetistas dessas bandas”, explica Jacob

Além disso, o trabalho busca também “compreender os valores e significados desta forma de execução com tradição nas mesmas bandas”, para o professor, que destaca a distinção forte entre a maneira de se tocar nas bandas e a prática de concertos, e que estas diferenças fazem parte da identidade cultural de cada grupo.

“Conservatório do povo” – Para o professor Jacob, é de fundamental importância para a UFPA e para a comunidade artística paraense, a presença deste trabalho no evento na Grécia, pelo aspecto da visibilidade. “O Brasil tem uma produção científica que precisa ser vista, conhecida, e a nossa produção cultural também é riquíssima, de música popular e de atividades de comunidades, como as bandas do interior”, diz.

Ainda na opinião do professor, as bandas do interior significam “nossa própria identidade, o conservatório do povo, é um espaço democrático e que poucos valorizam. Para termos uma idéia, a ilha de Corfu tem 19 bandas de música, aqui chamadas de filarmônicas. O Pará deve ter mais de 80 bandas. Não podemos negar a importância musical desta classe para a comunidade”.

Texto: Gustavo Ferreira – Assessoria de Comunicação da UFPA
Foto: Divulgação / Projeto

Publicado em: 16.07.2012 18:00