Protocolo lunar reúne bonecos, cenas filmadas, computação gráfica
Um retorno às histórias que usam a imaginação como principal fonte para a criação, com o respaldo de uma pesquisa meticulosa, sustentada, entre outras, pela teoria de um dos pensadores mais reverenciados na contemporaneidade – Gaston Bachelard. Com esse apelo científico, aprumo intelectual e uma estética elaborada, Protocolo Lunar é dedicado ao público infanto-juvenil, mas de todas as idades e backgrounds culturais, porque é um espetáculo poético, lírico, que só se realiza com a mistura de sensibilidades de quem “faz” com a de quem “assiste” a ele.
O espetáculo foi ganhador do Prêmio Myriam Muniz de circulação, com direção, encenação e atuação da professora da Escola de Teatro e Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Sonia Rangel. Acompanhado pelo Grupo Os Imaginários, Protocolo Lunar será apresentado em Belém, nos dias 3, 4 e 5 de agosto, no Teatro Universitário Cláudio Barradas, às 20 horas. Aos sábados e domingos, também haverá sessão às 16 horas. Entrada franca.
Enredo - A história se desenvolve a partir do encontro entre uma menina e uma velha. A menina com sede de conhecimento do mundo e querendo entender o que é a poesia. A velha traz em suas malas uma biblioteca inusitada, com livros que nem parecem livros. Entre os que a velha mostra, encontra-se o “pergaminho” Protocolo Lunar, no qual se lê a origem da Lua e as histórias de amor – com a própria Lua em papel de destaque. A velha narra histórias de quando a Lua ficava tão perto da Terra, mas tão perto que se podia chegar até ela por uma escada portátil, que se desenrolava no céu.
O fio condutor é uma história de amor que vai evoluindo e se transformando em novas e intrigantes situações, todas elas representadas cenicamente por objetos, bonecos, cenas filmadas, efeitos de computação gráfica e outros materiais. Há, também, dois músicos presentes na cena. Ao todo, são dez personagens – dois vividos por duas atrizes - mais oito personagens bonecos, entre estes, Dona Domingas, que é um duplo da velha, animados por um elenco de sete atores. Uma das grandes curiosidades de Lúcia, a menina que contracena com a velha, é saber o que é a poesia, e esta se torna a sua mais insistente pergunta, como um leitmotiv da peça. Como resposta, a velha vai tirando de suas malas cheias de livros pedaços de realidade e de... poesia.
Etapas - A pesquisa do Grupo Os Imaginários, sediado na Escola de Teatro da UFBA, envolve as etapas criativas desde a concepção até a encenação e, como espetáculo, é uma fábula em que as imagens adquirem importância especial na narrativa.
O espaço cenográfico aí se configura como um cosmos e um quintal do mundo, no qual as duas personagens – a velha e a menina - se encontram e estabelecem um diálogo com um vocabulário de signos compreensível entre as gerações. Velhice e infância em suas atemporalidades, como arquétipos da vida, sustentam o brincar em cena, a relação entre os personagens. O cósmico impregna o sonho acordado, como estado de criação, que se expressa em planos paralelos, que aparecem em balões como os de histórias em quadrinhos.
A visibilidade da imaginação criativa de personagens - atores ou bonecos – torna-se realidade na cena e é apresentada simultaneamente aos pensamentos deles. É como se houvesse uma transparência, uma linguagem que ultrapassasse a superfície da conversa convencional. Os diálogos se dão por meio de imagens, sons e música, com a utilização de vários pontos do espaço cênico ao mesmo tempo e durante a movimentação das atrizes, o que confere uma maior densidade à forma e ao conteúdo da trama apresentada.
Protocolo Lunar é um tributo poético, uma aventura compartilhada entre palco e plateia. É o terceiro espetáculo do Grupo Os Imaginários, que desenvolve pesquisa no campo das estratégias cênicas com atores, transitando pelas interfaces do teatro de imagem, de objetos e de animação.
Serviço: Espetáculo Protocolo Lunar. Dia 3 de agosto, às 20h; 4 e 5 de agosto, às 16h e 20h. Teatro Cláudio Barradas (Rua Jerônimo Pimentel, esquina com a Rua D. Romualdo de Seixas - Umarizal). Entrada franca. Informações: (91) 8346-5366 / 8292-8567.
Texto: Leandro Oliveira: Assessoria de Comunicação do Espetáculo
Fotos: Divulgação / espetáculo
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