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Minuto da Universidade

Comportamento simbólico é estudado pela Escola Experimental de Primatas da UFPA

10.05.2011 -

Por Uriel Pinho


Um símbolo pode ser definido como algo que, apesar de ser completamente diferente de uma determinada coisa, pode ser equivalente a ela em muitos contextos.

Complicado? No entanto, criamos, lemos e reproduzimos símbolos todos os dias. Ao ler a palavra “TUCUPÍ”, podemos salivar mesmo que a palavra em si não tenha sabor e seja muito diferente do próprio tucupí.

Do mesmo modo que símbolos podem representar coisas materiais, podem representar idéias e conceitos mais abstratos. Ao ver alguém usando uma aliança, por exemplo, somos remetidos ao fato de aquela pessoa ser casada, ou à idéia de compromisso.

 Da mesma maneira, certas palavras nos comovem, nos irritam, nos enojam, pela equivalência que têm com eventos comoventes, irritantes, enojadores etc.

                                                                               Comportamento Simbólico

A complexa capacidade de simbolizar dos seres humanos é responsável por toda a construção de nossos saberes e práticas e como elas são repassadas de geração em geração. O fato de neste momento você estar lendo e reconhecendo este texto, um conjunto de símbolos, já mostra uma das importâncias da capacidade de simbolizar.

Entender melhor as dinâmicas dessa habilidade é o interesse dos pesquisadores da escola Experimental de Primatas da UFPA, vinculada ao Núcleo de Teoria e Pesquisa do Comportamento.

Podemos dizer que comportamento são interações e reações de um organismo a partir de estímulos do ambiente em que vive e do contato com outros indivíduos. Como reagimos à chuva, ao calor, a uma situação de perigo. Dessas reações, depende a sobrevivência

Para tanto, o conceito de adaptação é fundamental, visto que determinadas variações no ambiente exigem reações diferentes. Dessa maneira, ao ver uma cruz, podemos relacioná-la à idéia de morte e, num contexto diferente, à idéia de fé. É aí que entra a questão do aprendizado, a capacidade de dar diferentes respostas a diferentes estímulos a partir de um repertório que o indivíduo constrói ao longo da vida.

Os processos comportamentais, principalmente no desenvolvimento de repertórios chamados complexos (aqueles que envolvem relações arbitrárias entre elementos, e que são característicos do comportamento simbólico) são para onde se dirigem os estudos da Escola Experimental de Primatas.

O uso de modelos animais

Ao me deparar com a bandeira do meu país ou do meu time preferido, posso ter reações compatíveis com meus sentimentos pelo país ou pelo time. Mudanças de sentimento pelo país ou pelo time podem determinar mudanças de sentimento em relação à bandeira. E isso por mais que o time e a bandeira sejam completamente diferentes e que tenham apenas uma relação totalmente arbitrária entre si.

Relações arbitrárias entre elementos, como no exemplo da bandeira, são dinâmicas que nos seres humanos apresentam diversas minúcias e particularidades. Mesmo assim, é possível entender processos comportamentais como esse em organismos mais simples e, a partir disso, identificar e compreender processos comportamentais em organismos mais complexos como o homem.

Na Escola Experimental de primatas, os pesquisadores utilizam Macacos Prego (Cebus apella) em experimentos envolvendo aprendizagem de relações arbitrárias entre figuras, por exemplo. Depois são feitos testes para avaliar se essas figuras arbitrariamente relacionadas se equivalem para o macaco. A partir dessas observações e do desenvolvimento destes métodos de ensino pode-se, por exemplo, conhecer melhor como desenvolver repertórios complexos em pessoas com desenvolvimento atrasado, desenvolver modelos de ensino aplicáveis a salas de aula com crianças com dificuldade de aprendizagem.

Para saber mais: Artigo Escola experimental de primatas” dos pesquisadores Olavo de Faria Galvão; Romariz da Silva Barros; Aline Cardoso Rocha; Mariana Barreira Mendonça e Paulo Roney Kilpp Goulart.



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